A infecção urinária é causada por bactérias que vivem entre a vagina e o ânus. Na verdade, o problema não são as bactérias, comuns nessa região. A complicação acontece quando essas bactérias migram para a bexiga, podendo até chegar aos rins. Quando isso acontece, muito provavelmente irá surgir uma infecção. Se as bactérias não alcançarem os rins, o problema, conhecido como cistite, fica apenas concentrado na bexiga. Mas se seguirem para os rins, a infecção, nomeada de pielonefrite, se torna mais grave. Nesse estágio é comum vir acompanhada por febre alta (acima de 37.8°), calafrios e dor na região lombar.

No entanto, para evitar complicações sérias, basta começar o tratamento o mais cedo possível. Caso contrário, há risco da infecção avançar pelo organismo, podendo até matar.

Cerca de 30% das mulheres vão apresentar na vida infecção urinária leve ou grave.

A mulher tem 50 vezes mais chance de ter o problema do que o homem. Entre os principais sintomas estão: ardência ao urinar, urgência miccional, ou seja, a mulher vai várias vezes ao banheiro fazer xixi, urina avermelhada (com sangue) e dores no “pé da barriga”.

Para diferenciar a dor lombar comum de uma dor nos rins é preciso observar os sinais que acompanham o problema: A pielonefrite vem acompanhada ainda de calafrios e apatia, cansaço e prostração.

Cistite de Repetição

Uma parcela das mulheres que tem infecção urinária vão apresentar os quadros da doença com maior frequência. “Elas vão ter uma agora, vão ter que tratar e mesmo assim, daqui a quatro meses terão novamente. Essas mulheres vão ter três, quatro, cinco ou mais por ano. Isso quer dizer que ela tem uma predisposição, um fator de risco que leva ela a ter a infecção com mais frequência do que as outras pessoas”, explica o chefe do Serviço de Urologista do Hospital Federal de Bonsucesso, no Rio de Janeiro, Pedro Vasconcellos Saraiva.

Se isso acontecer, certamente a paciente terá que tratar o problema, mas nesse caso, o tratamento vem por meio de uma medida preventiva. “Muitas vezes teremos que entrar com a profilaxia para essa paciente. Eu explico para as minhas pacientes que é como colocar cloro numa piscina. A gente não coloca um cloro lá para deixar a piscina mais limpa? Essas pacientes terão que tomar uma medicação diária, por mais cuidados que elas tenham e por mais que façam a higiene correta”, explica o médico. A medicação limpará a urina com infecção.

Alguns fatores poderão contribuir para que a mulher tenha infecção urinária:

Anatomia feminina – A uretra da mulher é curta (de quatro a cinco centímetros) e próxima à região onde as bactérias costumam ficar. Esse curto caminho favorece que as bactérias cheguem à bexiga.

Menopausa – Nesse período da vida da mulher, a diminuição do estrogênio tem como uma de suas consequências a predisposição à infecção urinaria, isso porque altera a flora vaginal, a qualidade do tecido da vagina e da uretra, deixando a entrada das bactérias na região mais fácil e o ambiente mais propício para a colonização.

Relações sexuais – Por mais convencional que seja o ato sexual, ele é um fator de risco. Tanto é verdade que a “cistite da lua de mel”, conhecida popularmente, é a infecção urinaria que pode acontecer depois da relação sexual, já que o pênis pode ajudar a levar bactérias para dentro da vagina.

De Mãe para Filha – Se há um histórico materno de infecções urinárias frequentes, é possível que a filha tenha alguns episódios do problema durante a vida também.

Uso de Fraldas – Os idosos, devido à incontinência urinaria, precisam usar as fraldas geriátricas com frequência. A fralda é abafada, úmida, se tiver com urina, esse ambiente é favorável para o aumento das bactérias na região vaginal. Além disso, o idoso tem mais predisposição ao problema já que a imunidade pode estar mais baixa com o avanço da idade.

Outros maus hábitos como beber pouca água, sentir vontade de urinar e não ir ao banheiro e falta de cuidados com a higiene pessoal também podem ser uma porta aberta para o problema.

Diagnóstico

Quando a paciente tem infecção urinária, o primeiro passo antes de tratar é reconhecer qual é a bactéria responsável pelo problema. “Colher uma cultura de urina é fundamental. Se o paciente estiver tomando um remédio antes de realizar a cultura, o exame já dará negativo e se for assim, não vai ser possível determinar qual é a causa do problema”, alerta o médico.

Caso seja a primeira vez que a paciente faz a queixa dos sintomas da infecção urinária, o ideal é que um exame de imagem também esteja associado para o diagnóstico. “Sem os exames e conhecer o histórico da paciente, fica difícil definir se aqueles sintomas não estão ligados ao cálculo renal. Essa pode ser uma possibilidade. O cálculo obstrui a urina que já está infectada com as bactérias”, explica. Sendo assim, o paciente continuará com todos os sintomas da doença.

É importante que quem sofre com essa complicação busque assistência médica e evite a automedicação. Quem toma remédio por conta própria pode, ao invés de se livrar logo das dores ao urinar, fortalecer uma bactéria que não deveria  permanecer no organismo.

O médico alerta: “Não adianta tomar antibiótico sem identificar a causa”. O ideal para a identificação urinária, em resumo, é os exames de urina (EAS e cultura) e ainda os testes necessários de imagens.

Caso o paciente esteja em estado crítico, onde seja observada a possibilidade da doença evoluir para uma infecção generalizada, com falência de órgãos, outras medidas poderão ser tomadas. Cabe aos profissionais de saúde envolvidos com o problema a gestão da melhor maneira para tratar e cuidar de cada paciente.

Prevenção

Se você já teve uma crise de infecção urinária ou, só de ouvir a descrição dos sintomas, já quer evitar que o incômodo chegue até você, duas medidas simples podem ajudar:

Beba bastante água diariamente e não deixe de ir ao banheiro quando sentir vontade de urinar. “A ingestão de água faz você ir mais vez ao banheiro e assim você vai evitar que a bactéria permaneça mais tempo dentro do organismo. Quanto mais urina parada, mais chances de infecção”, explica o chefe do Serviço de Urologista do Hospital Federal de Bonsucesso (RJ), Pedro Vasconcellos Saraiva.

Evite usar ainda as duchas vaginas e procure sempre quando for ao banheiro, limpar a região do períneo com o papel higiênico no sentido frente para trás. Do contrário poderá trazer as bactérias que estão na região intestinal para dentro da vagina causando a infecção da mesma forma. O sentido da ducha também é sempre de cima para baixo.

Urinar logo depois da relação sexual também pode ajudar aquelas pacientes com cistite de repetição. O xixi lava a uretra ajudando a eliminar bactérias que possam ter entrado durante o ato.

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